Já entrou aos gritos, sendo amparada pelos amigos.
— Acordaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa! Levanta daí, pelo amor de Deus! — Luiza berrava. Em seu rosto, uma máscara de desespero. Ela sempre foi a mais determinada do grupo, aquela que acreditava que podia mudar o destino com sua vontade. E agora sua fé estava sendo cruelmente testada.
Tomou fôlego:
— Ô meu pai, não faz isso. Não leva ainda. É tão jovem. Como pode?
Seu grito ecoava pela capela, misturando-se com os soluços dos amigos. Luiza era uma líder natural, mas naquele momento, sua força parecia desmoronar.
Diante da cena, os amigos se desmanchavam em lágrimas e pranto, e não se ouvia mais nada dentro da pequena capela. No centro, o caixão agora guardava em silêncio aquele sorriso marcante que ninguém conseguia esquecer. Ao lado, uma imensa coroa de flores trazia a frase “Amigos para sempre” e uma foto de uma noite feliz com todos os seis (…)
Era uma linda tarde de final de agosto, com um sol castigante que ainda brilhava forte, embora o relógio já marcasse que passavam das quatro e meia. Tudo poderia estar perfeito, não fosse aquela tragédia sem explicação e sem aviso. Afinal, é típico das tragédias surpreender a todos e deixar um ar de total incompreensão.
E foi assim naquela tarde. Não é que ninguém não acreditasse, apenas não queriam aceitar que tudo: uma vida, sonhos, projetos, segredos, cumplicidade, amizade ou amor, pudessem se acabar de repente e em tão poucas horas tudo estaria lacrado para sempre. Como poderia alguém estar aqui feliz agora e daqui a pouco não existir mais?
Dor, dor, dor... somente dor.